Associação Nacional de Direito ao Crédito

Associação Nacional de Direito ao Crédito

Porquê empreender

Empreender porquê?

Etimologicamente a palavra empreender tem origem no francês “entreprendre”, que significa tomar iniciativa. Em grego, o termo correspondente refere-se ao exercício do uso combinado de vários meios, num esforço sistemático para atingir um objetivo.

Atribui-se a Cantillon e a Say, a partir da segunda metade do séc. XVIII, o início da utilização do termo empreendedorismo. Ambos definiam os empreendedores como pessoas que correm riscos porque investem o seu próprio dinheiro em empreendimentos. Já no início do séc. XX Schumpeter interessa-se pela ligação entre a ação dos empreendedores e o desenvolvimento económico e relaciona o empreendedorismo com a inovação. A essência do empreendedorismo estaria na perceção e aproveitamento de novas oportunidades de negócio, quer através da criação de novas formas de utilização dos recursos, deslocados da sua utilização tradicional, quer através de novas combinações de recursos previamente conhecidos, que passam a funcionar como respostas inovadoras.

Um grupo de peritos da Comissão Europeia, a trabalhar sobre as questões da educação e formação, identificou o empreendedorismo como uma das oito competências – chave para a Aprendizagem ao Longo da Vida. Uma competência-chave corresponde a um conjunto de conhecimentos, capacidades e atitudes, de que todos os indivíduos necessitam para o seu desenvolvimento e realização pessoal, inclusão e emprego. Por ser designada “chave” significa, entre outras coisas, que é transferível e que a sua aplicação funciona em diversos contextos.

Na perspetiva deste grupo de trabalho, o empreendedorismo tem uma dupla componente: ativa, no que diz respeito à propensão para induzir mudanças, tomar responsabilidade pelas próprias ações, saber em que direção se está a avançar, estabelecer objetivos e concretizá-los, e, uma componente passiva relacionada com a abertura à mudança e a capacidade de acolher a inovação introduzida por fatores externos. De uma forma mais simples e alargada, como propõe o Ministério da Educação na apresentação do seu Plano Nacional de Educação para o Empreendedorismo (2007), “empreender é encarar a realidade envolvente como um conjunto de oportunidades de mudança e ter o desejo e a energia para produzir”.

Assim, encontramos uma dupla valência associada ao conceito de empreendedorismo. Por um lado a perspetiva alargada que explorámos acima, e, em alternativa, a perspetiva mais tradicional que conota a noção de empreendedorismo com a criação de negócios. A criação de uma empresa/negócio próprio é a resposta que o empreendedor encontra para satisfazer as suas necessidades, de acordo com os seus valores, conhecimentos e capacidades.

Neste sentido particular, empreender equivale a criar valor social e económico. O empreendedorismo é o motor que conduz a economia de muitas nações. Nos EUA, 19 das 25 maiores empresas não existiam há quatro décadas atrás (SEDES, 2007). O projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM), coordenado pela London Business School e pelo Babson College (EUA), procura, desde 1999, avaliar de forma comparativa entre os países, o impacto da atividade empreendedora no PIB (produto interno bruto) e na geração de empregos, bem como identificar os principais fatores que limitam ou facilitam a ação empreendedora. A principal medida utilizada pelo GEM é a Taxa de Atividade Empreendedora (TAE), que indica a proporção de empreendedores na população adulta.

O empreendedorismo, com a sua forte componente de inovação, quer no ajuste a realidades em mudança, quer na atitude proactiva de criação de novas e mais eficazes utilizações dos recursos tradicionais, pode ser fonte de renovação de organizações e instituições, permite a criação de novos empregos e a geração de riqueza.

Os empreendedores são agentes de desenvolvimento, no sentido em que geram ideias, mobilizam recursos, motivam pessoas, provocam mudanças e geram riqueza. No entanto, a criação e consolidação de empresas bem-sucedidas num mercado competitivo depende de um conjunto de fatores que não podem ser reduzidos à personalidade das pessoas que as iniciam e gerem. Fatores como a conjuntura macroeconómica, as políticas públicas associadas à iniciativa empresarial, a disponibilidade de financiamentos, entre outras condições, têm um peso considerável na criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo.